Seu primo é seu parente? E a sua sogra, continua sendo depois do divórcio? E o seu cônjuge, é seu parente? As respostas parecem óbvias, mas algumas surpreendem. E elas importam: é o parentesco que define quem herda, quem pode pedir alimentos, quem pode casar com quem e até quem pode ser testemunha num processo.
Este capítulo abre a parte do ebook dedicada às relações de parentesco e de filiação. Aqui ficam as regras gerais: o que é parentesco, qual a sua origem, como se contam os graus e o que acontece com a afinidade quando o casamento acaba.
14.1 O que é parentesco: natural, civil e por afinidade
14.1.1 O conceito
O Código Civil não define parentesco. Trata apenas das suas espécies e de como contá-lo (arts. 1.591 a 1.595). A definição vem da doutrina.
Tepedino e Teixeira o definem como o vínculo jurídico entre pessoas do mesmo tronco ancestral, ou estabelecido pela lei ou por decisão judicial, que liga pessoas de uma mesma família e produz efeitos jurídicos. Gagliano e Pamplona destacam outro aspecto: para eles, o parentesco é uma relação jurídica fundada na afetividade e reconhecida pelo Direito.
Um ponto merece atenção desde já: parentesco e família não são a mesma coisa. Os cônjuges e os companheiros formam uma família, mas não são parentes entre si. O vínculo entre eles é de outra natureza: conjugal ou convivencial. Os três livros-base fazem essa observação. O projeto de reforma do Código Civil (PL 4/2025) propõe deixar isso escrito na lei.
14.1.2 Para que serve o parentesco
Tepedino e Teixeira listam alguns efeitos do parentesco:
Herança. Os parentes são chamados a herdar numa ordem definida em lei (art. 1.829).
Impedimentos para o casamento. Certos parentes não podem casar entre si (art. 1.521), como vimos na seção 5.1.
Adoção. Avós e irmãos não podem adotar o neto ou o irmão (ECA, art. 42, § 1º).
Tutela e curatela. Os parentes têm preferência para exercê-las (arts. 1.731 e 1.775).
Alimentos. Os parentes podem pedir alimentos uns aos outros, dentro dos limites da lei (art. 1.694).
Os autores acrescentam duas características: o parentesco é recíproco (se eu sou seu primo, você é meu primo) e irrevogável (uma vez estabelecido, não se desfaz por vontade das partes).
14.1.3 O fim da distinção entre parentesco legítimo e ilegítimo
O Código de 1916 dividia o parentesco em legítimo, quando nascia do casamento, e ilegítimo, quando não nascia (art. 332). Tepedino e Teixeira explicam que a Constituição de 1988 tornou essa distinção inconstitucional. Ao proteger diversas formas de família e ao proibir a discriminação entre os filhos (art. 227, § 6º), a Constituição impediu que o parentesco fosse classificado conforme a sua origem matrimonial. As classificações que sobraram servem só para explicar a origem do vínculo, e não para dar mais ou menos direitos.
14.1.4 As três espécies
Pelo art. 1.593, "o parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem". Somando a afinidade, prevista no art. 1.595, a doutrina fala em três espécies:
Parentesco natural ou consanguíneo. É o que liga pessoas que descendem umas das outras ou de um ancestral comum, pelo vínculo biológico. Pode ser comprovado por exame de DNA. Tartuce registra que alguns criticam o nome "natural", porque ele sugere que as outras formas seriam artificiais.
Parentesco civil. É o que resulta de "outra origem", que não o sangue. Tradicionalmente, era só a adoção. Hoje inclui também a reprodução assistida com material genético de doador e a socioafetividade. Gagliano e Pamplona resumem: o parentesco civil se define por exclusão, como tudo o que não vem da biologia nem da afinidade.
Parentesco por afinidade. É o que liga um cônjuge ou companheiro aos parentes do outro, como a sogra, o enteado e o cunhado. É tratado na seção 14.3.
Gagliano e Pamplona insistem num ponto: não há hierarquia entre o parentesco natural e o civil. O filho adotivo é parente em linha reta, em primeiro grau, do pai que o adotou, exatamente como o filho biológico.
14.1.5 A cláusula aberta "outra origem" e a socioafetividade
A expressão "outra origem" do art. 1.593 é uma cláusula aberta. Tepedino e Teixeira a chamam de cláusula geral de parentesco, porque permite reconhecer formas de parentesco que a lei não previu expressamente.
A principal delas é a socioafetividade: o vínculo que nasce da convivência e do tratamento como família, mesmo sem laço de sangue. Ela se prova pela posse de estado, com os três elementos que já vimos na união estável (seção 12.2): o nome, o tratamento e a fama, isto é, o reconhecimento pela comunidade.
A doutrina e os tribunais consolidaram essa leitura:
Os Enunciados 103 e 256 das Jornadas de Direito Civil reconhecem a socioafetividade como parentesco civil.
Em 2016, o STF afirmou que a paternidade socioafetiva não impede o reconhecimento simultâneo da paternidade biológica, com todos os efeitos (RE 898.060, Tema 622). Para Tartuce, a decisão consolidou a socioafetividade como parentesco civil, em pé de igualdade com o consanguíneo.
O STJ admitiu o reconhecimento de irmandade socioafetiva, mesmo depois da morte de um dos irmãos (REsp 1.674.372, de 2022), como relatam Tepedino e Teixeira. Ou seja, a socioafetividade não se limita à relação entre pais e filhos.
Tepedino e Teixeira enfrentam uma objeção comum: se o vínculo nasce do afeto, ele acabaria quando o afeto acabasse? A resposta dos autores é não. O parentesco socioafetivo, uma vez estabelecido, é irrevogável como qualquer outro.
A filiação socioafetiva e a multiparentalidade serão estudadas em detalhe no Capítulo 15.
14.1.6 O que propõe a reforma
O projeto de reforma mantém a estrutura atual, mas a torna mais explícita. Pela proposta, o parentesco natural seria o que resulta da consanguinidade, mesmo que o nascimento tenha ocorrido por cessão temporária de útero. O parentesco civil seria o que resulta da socioafetividade, da adoção ou da reprodução assistida com material de doador.
O projeto também propõe afirmar que os enteados não são, por si sós, filhos socioafetivos. Tartuce concorda: a relação entre padrasto ou madrasta e enteado só gera filiação socioafetiva se houver, no caso concreto, a posse de estado de filho.
14.2 Linhas e graus: como contar o parentesco
14.2.1 Linha e grau
Duas ideias organizam a contagem:
Linha é a série de pessoas ligadas a um mesmo tronco ancestral.
Grau é a distância entre duas gerações. Cada geração conta um grau.
Há duas linhas: a reta e a colateral.
14.2.2 A linha reta
São parentes em linha reta as pessoas que descendem umas das outras: pais e filhos, avós e netos, bisavós e bisnetos (art. 1.591). Olhando para cima, fala-se em linha reta ascendente; olhando para baixo, em linha reta descendente.
A contagem é simples: cada geração é um grau (art. 1.594).
Meu pai é meu parente em linha reta, em primeiro grau.
Meu avô, em segundo grau.
Meu bisneto, em terceiro grau.
A linha reta não tem limite. Tepedino e Teixeira lembram que ela é infinita: todos os ascendentes e descendentes são parentes, por mais distantes que sejam.
14.2.3 A linha colateral
São parentes em linha colateral, ou transversal, as pessoas que vêm de um mesmo tronco sem descenderem umas das outras (art. 1.592). Irmãos, tios, sobrinhos e primos são colaterais.
Aqui há um limite: o parentesco colateral vai até o quarto grau. O Código de 1916 ia até o sexto. As avaliações da mudança divergem:
Tepedino e Teixeira a consideram adequada às famílias atuais, que são menores e cujos laços de solidariedade se concentram em pessoas mais próximas.
Tartuce reconhece que ela simplifica o sistema, mas critica a restrição numa época em que a tendência é ampliar as relações familiares.
14.2.4 Como contar os graus na linha colateral
A regra está no art. 1.594: sobe-se de um parente até o ascendente comum e desce-se até o outro, contando uma geração por grau. Tartuce resume a técnica numa frase: suba até o tronco comum, depois desça.
Veja os casos mais comuns, sempre a partir de "eu":
Irmão. Subo um grau até meu pai, que é o tronco comum, e desço um até meu irmão. Total: segundo grau.
Tio. Subo dois graus até meu avô e desço um até meu tio. Total: terceiro grau. Tartuce alerta para o erro mais frequente: subir só até o pai. O pai não é ascendente do tio; o tronco comum é o avô.
Primo. Subo dois graus até meu avô e desço dois até meu primo. Total: quarto grau.
Tio-avô. Subo três graus até meu bisavô e desço um até o irmão do meu avô. Total: quarto grau.
Meu parente | Tronco comum | Sobe | Desce | Grau |
|---|---|---|---|---|
Irmão | Meu pai ou minha mãe | 1 | 1 | 2º |
Tio | Meu avô | 2 | 1 | 3º |
Sobrinho | Meu pai ou minha mãe | 1 | 2 | 3º |
Primo | Meu avô | 2 | 2 | 4º |
Tio-avô | Meu bisavô | 3 | 1 | 4º |
Sobrinho-neto | Meu pai ou minha mãe | 1 | 3 | 4º |
Duas consequências decorrem da regra:
Não existe parentesco colateral em primeiro grau. Para chegar a um colateral é preciso subir pelo menos um grau e descer pelo menos um. O colateral mais próximo, o irmão, está em segundo grau.
O filho do primo não é parente. Ele estaria em quinto grau, além do limite legal.
14.2.5 Algumas classificações tradicionais
Tartuce registra classificações herdadas da doutrina clássica:
Colateral igual ou desigual. É igual quando a distância até o tronco comum é a mesma para os dois parentes, como entre irmãos ou entre primos. É desigual quando não é, como entre tio e sobrinho: sobe-se dois e desce-se um.
Parentesco duplicado. Ocorre, por exemplo, quando dois irmãos se casam com duas irmãs. Os filhos dos dois casais serão primos pelos dois lados.
Irmãos bilaterais e unilaterais. Bilaterais, ou germanos, têm o mesmo pai e a mesma mãe. Unilaterais têm só um dos dois em comum. Entre os unilaterais, os uterinos têm a mesma mãe, e os consanguíneos, o mesmo pai.
A distinção entre irmãos bilaterais e unilaterais tem efeito prático na herança: quando concorrem, o irmão unilateral recebe metade do que recebe o bilateral (art. 1.841).
14.2.6 O mesmo cálculo para o parentesco civil
Gagliano e Pamplona lembram que a contagem é igual no parentesco civil. O irmão adotado é colateral de segundo grau, exatamente como o irmão biológico. O que vale é a posição na família, não a origem do vínculo.
14.2.7 Cada regra tem o seu limite
O grau de parentesco não tem o mesmo peso em todas as situações. Cada regra fixa o seu próprio limite:
Efeito | Limite na linha colateral | Base legal |
|---|---|---|
Herança | Até o 4º grau | Art. 1.839 |
Impedimento para casar | Até o 3º grau, com a exceção do Decreto-Lei 3.200/1941 (seção 5.1) | Art. 1.521, IV |
Alimentos | Até o 2º grau (irmãos) | Art. 1.697 |
Na linha reta, não há limite em nenhum desses casos.
O direito de herança dos colaterais é tratado no ebook de Sucessões, nos textos Colaterais até o quarto grau e Direito de representação. Este último explica quando os sobrinhos herdam no lugar de um irmão que morreu antes do autor da herança.
14.3 A afinidade que não acaba: o parentesco que sobrevive ao divórcio
14.3.1 Quem são os parentes por afinidade
Pelo art. 1.595, cada cônjuge ou companheiro se torna parente por afinidade dos parentes do outro. A inclusão da união estável foi uma novidade do Código de 2002: antes, só o casamento gerava afinidade.
Mas a afinidade não alcança todos os parentes do outro. Ela se limita aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro (art. 1.595, § 1º). Assim:
Na linha reta, são afins os sogros, os pais dos sogros e assim por diante, para cima; e os enteados, os filhos dos enteados e assim por diante, para baixo. Não há limite de grau.
Na linha colateral, só os cunhados. É afinidade em segundo grau.
Quem fica de fora? O tio do cônjuge, o primo do cônjuge e o sobrinho do cônjuge não são parentes por afinidade.
14.3.2 Os afins não são parentes entre si
Tepedino e Teixeira e Gagliano e Pamplona destacam que a afinidade liga apenas cada cônjuge aos parentes do outro. Os parentes de um não se tornam parentes dos parentes do outro.
Exemplos:
Os "concunhados", como as esposas de dois irmãos, não são parentes. Gagliano e Pamplona observam que, no cotidiano, eles são tratados como família, mas, juridicamente, não há vínculo.
Os pais da noiva não se tornam parentes dos pais do noivo.
Tepedino e Teixeira acrescentam uma regra pouco lembrada: no casamento putativo (seção 6.4), a afinidade só se forma em favor do cônjuge que estava de boa-fé.
14.3.3 "Sogra é para a vida inteira"
A frase, citada por Tartuce, resume o § 2º do art. 1.595: na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. Mesmo depois do divórcio ou da morte do cônjuge, a ex-sogra continua sendo parente por afinidade, e o ex-enteado também.
Na linha colateral, a regra é a oposta. Tepedino e Teixeira explicam que a afinidade entre cunhados termina com o fim do casamento, por morte ou divórcio.
Qual a razão da diferença? Os autores apontam os impedimentos matrimoniais. Os afins em linha reta não podem casar entre si (art. 1.521, II) nem viver em união estável (art. 1.723, § 1º). Gagliano e Pamplona chamam esse fundamento de puramente moral: a lei quer evitar novas uniões entre sogro e nora, sogra e genro, padrasto e enteada, madrasta e enteado.
Veja como isso funciona na prática:
Depois do divórcio, Pedro não pode casar com a ex-sogra, nem com a filha que a ex-mulher teve de outro relacionamento.
Pedro pode casar com a ex-cunhada. A afinidade colateral acabou, e, mesmo enquanto existia, não gerava impedimento.
O projeto de reforma mantém a regra, apenas atualizando a redação para falar em "convivente" e em "divórcio". Gagliano e Pamplona registram que o antigo projeto do Estatuto das Famílias propunha outra solução: a afinidade se extinguiria com o fim da relação, mas o impedimento para formar nova família continuaria. Os autores sugerem que o tema merece reflexão.
14.3.4 E os filhos de cada um?
Imagine um homem que tem um filho de um relacionamento anterior e se casa com uma mulher que também tem uma filha de outra relação. Os dois enteados podem casar entre si?
Podem. Entre eles não há parentesco, nem impedimento legal. Tartuce observa, porém, que a valorização da socioafetividade torna o tema delicado, do ponto de vista moral e ético, quando os dois foram criados como irmãos. Ele mesmo lembra o contra-argumento: os impedimentos precisam estar previstos em lei.
14.3.5 Equivalente, mas não igual
Os afins são parentes, mas não têm os mesmos direitos dos parentes consanguíneos ou civis. Gagliano e Pamplona citam uma lição de Paulo Lôbo: os afins são equivalentes, mas diferentes. O enteado não é filho e não tem, apenas por ser enteado, os direitos de filho.
Tepedino e Teixeira explicam por quê. Não há entre os afins os laços de solidariedade que justificam a herança e os alimentos. Como as pessoas podem formar várias famílias ao longo da vida, não faria sentido chamar à herança a ex-sogra ou o enteado de um casamento anterior. Por isso, entre afins não há direito a herança nem a alimentos. A exceção ocorre quando, entre padrasto e enteado, se forma um vínculo socioafetivo de filiação. Aí já não se trata de afinidade, e sim de filiação.
Para que serve a afinidade, então? Sobretudo para criar impedimentos e restrições, como se vê a seguir.
14.3.6 As restrições decorrentes do parentesco
O parentesco gera direitos, mas também limita certos atos. Gagliano e Pamplona e Tepedino e Teixeira apontam a mesma finalidade para essas restrições: evitar favorecimentos e conflitos de interesse decorrentes da intimidade familiar.
Alguns exemplos:
No Direito de Família. Os impedimentos para o casamento (art. 1.521) e a proibição de que avós e irmãos adotem (ECA, art. 42, § 1º).
Nos contratos. A venda de ascendente para descendente é anulável sem o consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do vendedor (art. 496).
No processo. O juiz fica impedido de atuar em causas de parentes (CPC, art. 144), e certos parentes não podem ser testemunhas (CPC, art. 447).
Na política. São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins até o segundo grau de presidente, governador e prefeito (Constituição, art. 14, § 7º).
Gagliano e Pamplona citam um caso do STF sobre esta última regra (RE 446.999, de 2005). O candidato a prefeito era ex-genro do prefeito em exercício. O divórcio havia sido decretado durante o mandato do ex-sogro, mas a separação de fato era anterior ao início desse mandato. O STF afastou a inelegibilidade: a finalidade da regra é impedir que uma mesma família se perpetue no poder, e, no caso, os vínculos já tinham se desfeito antes.
A afinidade também aparece em regras que concedem direitos. Tepedino e Teixeira lembram que a lei dos servidores públicos federais (Lei 8.112/1990, art. 83) permite licença por doença do padrasto, da madrasta ou do enteado.
Gagliano e Pamplona defendem, por fim, que as restrições previstas para o parentesco natural e civil se apliquem também ao parentesco por afinidade, sempre que a finalidade for a mesma: proteger terceiros e garantir a impessoalidade.
Com as regras gerais do parentesco estudadas, o próximo capítulo trata da sua forma mais importante: a filiação.
Referências do capítulo
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.
BRASIL. Decreto-Lei nº 3.200, de 19 de abril de 1941. Dispõe sobre a organização e proteção da família. Rio de Janeiro: Presidência da República, 1941.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF: Presidência da República, 1990.
BRASIL. Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União. Brasília, DF: Presidência da República, 1990.
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2002.
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2015.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 1.674.372/SP. Quarta Turma. Relator: Min. Marco Buzzi. Julgado em 4 out. 2022.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 446.999. Segunda Turma. Relatora: Min. Ellen Gracie. Julgado em 28 jun. 2005.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 898.060/SC (Tema 622 da repercussão geral). Relator: Min. Luiz Fux. Julgado em 21 set. 2016.
GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil: direito de família. 16. ed. Rio de Janeiro: SRV, 2026. v. 6.
TARTUCE, Flávio. Direito civil: direito de família. 21. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2026. v. 5.
TEPEDINO, Gustavo; TEIXEIRA, Ana Carolina Brochado et al. Fundamentos do direito civil: direito de família e das sucessões. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2026. v. 6.
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<title>Baralho — Capítulo 14 | Direito de Família</title>
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<div class="dk" id="dk">
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<p class="dk-eyebrow">Direito de Família · Capítulo 14</p>
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<script>
(function () {
'use strict';
var CAP = { num: 14, titulo: 'Parentesco', proximo: 'Filiação', blocos: 'três blocos' };
var SEC = {
s141: { tag: 'c-teal', short: '14.1', nome: 'Espécies' },
s142: { tag: 'c-coral', short: '14.2', nome: 'Linhas e graus' },
s143: { tag: 'c-purple', short: '14.3', nome: 'Afinidade' },
fin: { tag: 'c-ink', short: 'Teste', nome: 'Teste final' }
};
var ORDER = ['s141', 's142', 's143', 'fin'];
var SLIDES = [
{ t: 'cover' },
{ t: 'html', sec: 'gen', label: 'Mapa do capítulo', html:
'<h2>Quem é meu parente, e por que isso importa?</h2>' +
'<p class="lede">O parentesco define quem herda, quem pode pedir alimentos, quem pode casar com quem e até quem pode ser testemunha.</p>' +
'<div class="g3">' +
'<div class="cd teal"><h4>14.1 · Espécies</h4><p>Natural, civil e por afinidade. A cláusula aberta "outra origem".</p></div>' +
'<div class="cd coral"><h4>14.2 · Linhas e graus</h4><p>Linha reta e colateral. Como contar e até onde contar.</p></div>' +
'<div class="cd purple"><h4>14.3 · Afinidade</h4><p>Sogra, enteado e cunhado. O que sobrevive ao divórcio.</p></div>' +
'</div>' },
/* ---------- 14.1 ---------- */
{ t: 'html', sec: 's141', html:
'<h2>O que é parentesco</h2>' +
'<p class="lede">O Código não o define. Tepedino e Teixeira: vínculo jurídico entre pessoas do mesmo tronco, ou criado pela lei ou por decisão judicial, que gera efeitos. Gagliano e Pamplona: relação fundada na afetividade e reconhecida pelo Direito.</p>' +
'<div class="band"><small>Atenção</small>Parentesco e família não são a mesma coisa. Cônjuges e companheiros formam família, mas não são parentes entre si.</div>' +
'<p class="lbl-up">Para que serve (Tepedino e Teixeira)</p>' +
'<div class="g4">' +
'<div class="cd teal"><h4>Herança</h4><p>Art. 1.829.</p></div>' +
'<div class="cd teal"><h4>Impedimentos</h4><p>Art. 1.521.</p></div>' +
'<div class="cd teal"><h4>Adoção</h4><p>Avós e irmãos não adotam (ECA, art. 42, § 1º).</p></div>' +
'<div class="cd teal"><h4>Tutela e curatela</h4><p>Preferência dos parentes.</p></div>' +
'</div>' +
'<div class="note">O parentesco é <strong>recíproco</strong> e <strong>irrevogável</strong>.</div>' },
{ t: 'q', kind: 'tf', sec: 's141',
q: 'Marido e mulher são parentes em primeiro grau.',
ans: false,
why: 'Cônjuges e companheiros não são parentes entre si. O vínculo entre eles é conjugal ou convivencial, como destacam os três livros-base.' },
{ t: 'html', sec: 's141', html:
'<h2>As três espécies</h2>' +
'<div class="band"><small>Art. 1.593</small>"O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem".</div>' +
'<div class="g3" style="margin-top:12px">' +
'<div class="cd teal"><h4>Natural</h4><p>Vínculo biológico, de sangue. Prova-se por DNA.</p></div>' +
'<div class="cd green"><h4>Civil</h4><p>"Outra origem": adoção, reprodução assistida com doador, socioafetividade. Define-se por exclusão (Gagliano e Pamplona).</p></div>' +
'<div class="cd purple"><h4>Por afinidade</h4><p>Entre um cônjuge ou companheiro e os parentes do outro (art. 1.595).</p></div>' +
'</div>' +
'<div class="note"><strong>Sem hierarquia:</strong> o filho adotivo é parente em linha reta, em primeiro grau, como o biológico. Desde 1988, não há parentesco "legítimo" e "ilegítimo" (Tepedino e Teixeira).</div>' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's141',
q: 'Qual destes vínculos é parentesco civil?',
opts: [
{ t: 'O que nasce da socioafetividade, comprovada pela posse de estado.', ok: true, why: 'A socioafetividade se encaixa na "outra origem" do art. 1.593 (Enunciados 103 e 256).' },
{ t: 'O de dois irmãos biológicos.', ok: false, why: 'É parentesco natural, de sangue.' },
{ t: 'O de um homem e o irmão da sua esposa.', ok: false, why: 'É parentesco por afinidade.' },
{ t: 'O de marido e mulher.', ok: false, why: 'Cônjuges não são parentes.' }
] },
{ t: 'html', sec: 's141', html:
'<h2>A cláusula aberta e a socioafetividade</h2>' +
'<p class="lede">Para Tepedino e Teixeira, "outra origem" é uma cláusula geral: permite reconhecer formas de parentesco que a lei não previu.</p>' +
'<div class="g3">' +
'<div class="cd green"><h4>Nome</h4><p>Usa o nome da família.</p></div>' +
'<div class="cd green"><h4>Tratamento</h4><p>É tratado como parente.</p></div>' +
'<div class="cd green"><h4>Fama</h4><p>A comunidade o reconhece assim.</p></div>' +
'</div>' +
'<div class="g2" style="margin-top:12px">' +
'<div class="cd navy"><h4>STF, Tema 622 (2016)</h4><p>Paternidade socioafetiva e biológica podem coexistir. Para Tartuce, consolidou a socioafetividade como parentesco civil.</p></div>' +
'<div class="cd navy"><h4>STJ, REsp 1.674.372 (2022)</h4><p>Admitiu a irmandade socioafetiva, mesmo depois da morte de um dos irmãos.</p></div>' +
'</div>' +
'<div class="note">"Findo o afeto, acaba o parentesco?" Não: para Tepedino e Teixeira, o vínculo socioafetivo é irrevogável. Detalhes no Capítulo 15.</div>' },
{ t: 'q', kind: 'tf', sec: 's141',
q: 'O parentesco socioafetivo termina automaticamente quando o afeto entre as pessoas acaba.',
ans: false,
why: 'Tepedino e Teixeira enfrentam essa objeção: uma vez estabelecido, o parentesco socioafetivo é irrevogável, como qualquer outro.' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's141',
q: 'Por que a distinção entre parentesco legítimo e ilegítimo do Código de 1916 não vale mais?',
opts: [
{ t: 'Porque a Constituição de 1988 protegeu diversas formas de família e proibiu a discriminação entre os filhos.', ok: true, why: 'Tepedino e Teixeira apontam que a distinção se tornou inconstitucional (art. 227, § 6º).' },
{ t: 'Porque o Código de 2002 aboliu o parentesco natural.', ok: false, why: 'O parentesco natural continua previsto no art. 1.593.' },
{ t: 'Porque só o parentesco civil é reconhecido hoje.', ok: false, why: 'As três espécies são reconhecidas, sem hierarquia.' },
{ t: 'Porque a distinção só valia para a afinidade.', ok: false, why: 'Ela valia para o parentesco em geral, conforme nascesse ou não do casamento.' }
] },
/* ---------- 14.2 ---------- */
{ t: 'html', sec: 's142', html:
'<h2>Linha reta e linha colateral</h2>' +
'<div class="g2">' +
'<div class="cd coral"><h4>Linha reta (art. 1.591)</h4><p>Descendem uns dos outros: pais, avós, filhos, netos. Infinita. Cada geração é um grau.</p></div>' +
'<div class="cd coral"><h4>Linha colateral (art. 1.592)</h4><p>Mesmo tronco, sem descenderem uns dos outros: irmãos, tios, primos. Só até o 4º grau.</p></div>' +
'</div>' +
'<p class="lbl-up">O limite caiu do 6º (1916) para o 4º grau (2002)</p>' +
'<div class="g2">' +
'<div class="cd purple"><h4>Tepedino e Teixeira</h4><p>Adequado: as famílias atuais são menores, e a solidariedade se concentra nos mais próximos.</p></div>' +
'<div class="cd teal"><h4>Tartuce</h4><p>Simplifica, mas restringe quando a tendência é ampliar as relações familiares.</p></div>' +
'</div>' },
{ t: 'html', sec: 's142', html:
'<h2>Como contar na colateral: suba e desça</h2>' +
'<p class="lede">Art. 1.594: sobe-se até o ascendente comum e desce-se até o outro parente. Cada geração, um grau.</p>' +
'<table class="tbl"><thead><tr><th>Meu parente</th><th>Tronco comum</th><th>Sobe</th><th>Desce</th><th>Grau</th></tr></thead><tbody>' +
'<tr><td>Irmão</td><td>Meu pai ou mãe</td><td>1</td><td>1</td><td>2º</td></tr>' +
'<tr><td>Tio</td><td>Meu avô</td><td>2</td><td>1</td><td>3º</td></tr>' +
'<tr><td>Sobrinho</td><td>Meu pai ou mãe</td><td>1</td><td>2</td><td>3º</td></tr>' +
'<tr><td>Primo</td><td>Meu avô</td><td>2</td><td>2</td><td>4º</td></tr>' +
'<tr><td>Tio-avô</td><td>Meu bisavô</td><td>3</td><td>1</td><td>4º</td></tr>' +
'</tbody></table>' +
'<div class="alert"><strong>Erro mais comum</strong> (Tartuce): subir só até o pai para chegar ao tio. O tronco comum é o avô.</div>' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's142',
q: 'Qual é o grau de parentesco entre mim e o irmão da minha mãe?',
opts: [
{ t: 'Terceiro grau na linha colateral.', ok: true, why: 'Subo dois graus até meu avô (mãe, avô) e desço um até meu tio.' },
{ t: 'Segundo grau na linha colateral.', ok: false, why: 'Esse é o grau dos irmãos. O erro vem de subir só até a mãe.' },
{ t: 'Primeiro grau na linha colateral.', ok: false, why: 'Não existe parentesco colateral em primeiro grau.' },
{ t: 'Terceiro grau na linha reta.', ok: false, why: 'Tio e sobrinho não descendem um do outro: a linha é colateral.' }
] },
{ t: 'q', kind: 'tf', sec: 's142',
q: 'Existe parentesco colateral em primeiro grau.',
ans: false,
why: 'Para chegar a um colateral, é preciso subir pelo menos um grau e descer pelo menos um. O mais próximo, o irmão, está em segundo grau.' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's142',
q: 'O filho do meu primo é meu parente?',
opts: [
{ t: 'Não: ele estaria em quinto grau colateral, além do limite legal.', ok: true, why: 'Subo dois até o avô e desço três até o filho do primo. O art. 1.592 limita a colateralidade ao 4º grau.' },
{ t: 'Sim, em quarto grau.', ok: false, why: 'O primo está em quarto grau; o filho dele está um grau abaixo, no quinto.' },
{ t: 'Sim, em terceiro grau.', ok: false, why: 'A conta não fecha: são cinco gerações entre nós.' },
{ t: 'Sim, sem limite de grau.', ok: false, why: 'Só a linha reta é ilimitada.' }
] },
{ t: 'html', sec: 's142', html:
'<h2>Cada regra tem o seu limite</h2>' +
'<div class="g3">' +
'<div class="cd coral"><span class="num">4º</span><h4>Herança</h4><p>Colaterais herdam até o quarto grau (art. 1.839).</p></div>' +
'<div class="cd coral"><span class="num">3º</span><h4>Impedimento para casar</h4><p>Art. 1.521, IV, com a exceção do Decreto-Lei 3.200/1941 (seção 5.1).</p></div>' +
'<div class="cd coral"><span class="num">2º</span><h4>Alimentos</h4><p>Entre colaterais, só entre irmãos (art. 1.697).</p></div>' +
'</div>' +
'<div class="note"><strong>Irmãos unilaterais</strong> (só pai ou só mãe em comum) recebem metade do que recebem os bilaterais quando concorrem na herança (art. 1.841).</div>' +
'<div class="band"><small>Ponte com Sucessões</small><a style="color:#fff" href="https://direito.legal/colaterais-ate-o-quarto-grau" target="_blank" rel="noopener">Colaterais até o quarto grau</a> · <a style="color:#fff" href="https://direito.legal/direito-de-representacao" target="_blank" rel="noopener">Direito de representação</a></div>' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's142',
q: 'Lúcia precisa de alimentos. Quem, entre estes parentes colaterais, pode ser obrigado a prestá-los?',
opts: [
{ t: 'O irmão dela.', ok: true, why: 'Entre colaterais, a obrigação alimentar vai só até o segundo grau (art. 1.697).' },
{ t: 'O tio dela.', ok: false, why: 'Tio é colateral de terceiro grau, fora do limite dos alimentos.' },
{ t: 'O primo dela.', ok: false, why: 'Primo é colateral de quarto grau: pode herdar, mas não deve alimentos.' },
{ t: 'Qualquer colateral até o quarto grau.', ok: false, why: 'O quarto grau é o limite da herança, não dos alimentos.' }
] },
/* ---------- 14.3 ---------- */
{ t: 'html', sec: 's143', html:
'<h2>Quem são os afins</h2>' +
'<p class="lede">Art. 1.595: cada cônjuge ou companheiro é parente por afinidade dos parentes do outro. A união estável foi incluída em 2002.</p>' +
'<div class="g2">' +
'<div class="cd purple"><h4>Linha reta, sem limite</h4><p>Sogros (e os pais deles); enteados (e os filhos deles).</p></div>' +
'<div class="cd purple"><h4>Linha colateral, só o 2º grau</h4><p>Cunhados.</p></div>' +
'</div>' +
'<div class="g2" style="margin-top:10px">' +
'<div class="cd coral"><h4>Não são afins</h4><p>Tio, primo e sobrinho do cônjuge (§ 1º limita a ascendentes, descendentes e irmãos).</p></div>' +
'<div class="cd coral"><h4>Afins não são parentes entre si</h4><p>"Concunhados" e os pais de cada noivo não são parentes (Tepedino e Teixeira; Gagliano e Pamplona).</p></div>' +
'</div>' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's143',
q: 'Clara é casada com Bruno. Qual destas pessoas é parente por afinidade de Clara?',
opts: [
{ t: 'A avó de Bruno.', ok: true, why: 'É ascendente do cônjuge: afinidade em linha reta, sem limite de grau.' },
{ t: 'O primo de Bruno.', ok: false, why: 'A afinidade se limita a ascendentes, descendentes e irmãos do cônjuge.' },
{ t: 'A esposa do irmão de Bruno.', ok: false, why: 'Os afins de um cônjuge não são parentes dos afins do outro.' },
{ t: 'O tio de Bruno.', ok: false, why: 'Tio do cônjuge não está entre os afins do art. 1.595, § 1º.' }
] },
{ t: 'html', sec: 's143', html:
'<h2>"Sogra é para a vida inteira"</h2>' +
'<div class="band"><small>Art. 1.595, § 2º</small>Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável.</div>' +
'<div class="g2" style="margin-top:12px">' +
'<div class="cd coral"><h4>Linha reta: continua</h4><p>Ex-sogra e ex-enteado seguem afins. Não podem casar nem viver em união estável (arts. 1.521, II, e 1.723, § 1º).</p></div>' +
'<div class="cd green"><h4>Linha colateral: acaba</h4><p>A afinidade com o cunhado termina com o casamento (Tepedino e Teixeira).</p></div>' +
'</div>' +
'<div class="note">Fundamento puramente moral, para Gagliano e Pamplona. A reforma mantém a regra.</div>' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's143',
q: 'Pedro se divorciou de Ana. Com quem ele pode casar?',
opts: [
{ t: 'Com a irmã de Ana, sua ex-cunhada.', ok: true, why: 'A afinidade colateral acabou com o divórcio e, mesmo antes, não gerava impedimento.' },
{ t: 'Com a mãe de Ana, sua ex-sogra.', ok: false, why: 'Na linha reta, a afinidade persiste e gera impedimento (art. 1.521, II).' },
{ t: 'Com a filha que Ana teve de outro relacionamento.', ok: false, why: 'É sua ex-enteada: afinidade em linha reta, que não se extingue.' },
{ t: 'Com nenhuma das três.', ok: false, why: 'A ex-cunhada não está impedida.' }
] },
{ t: 'q', kind: 'tf', sec: 's143',
q: 'O filho de um homem e a filha da mulher com quem ele se casou, ambos de relações anteriores, podem casar entre si.',
ans: true,
why: 'Não há parentesco nem impedimento legal entre eles. Tartuce registra, porém, o debate moral quando foram criados como irmãos.' },
{ t: 'html', sec: 's143', html:
'<h2>Equivalente, mas não igual</h2>' +
'<p class="lede">Paulo Lôbo, citado por Gagliano e Pamplona: os afins são equivalentes, mas diferentes. O enteado não é filho.</p>' +
'<div class="g2">' +
'<div class="cd coral"><h4>Não gera</h4><p>Herança nem alimentos entre afins: não há laços de solidariedade (Tepedino e Teixeira).</p></div>' +
'<div class="cd green"><h4>Salvo</h4><p>Se entre padrasto e enteado se formar filiação socioafetiva. Aí é filiação, não afinidade.</p></div>' +
'</div>' +
'<p class="lbl-up">Restrições decorrentes do parentesco</p>' +
'<div class="g4">' +
'<div class="cd"><h4>Contratos</h4><p>Venda de ascendente a descendente (art. 496).</p></div>' +
'<div class="cd"><h4>Processo</h4><p>Juiz impedido (CPC, art. 144); testemunha (art. 447).</p></div>' +
'<div class="cd"><h4>Política</h4><p>Inelegibilidade até o 2º grau, inclusive afins (CF, art. 14, § 7º).</p></div>' +
'<div class="cd"><h4>Adoção</h4><p>Avós e irmãos não adotam (ECA).</p></div>' +
'</div>' },
{ t: 'q', kind: 'tf', sec: 's143',
q: 'Com a morte do marido, a nora passa a ter direito à herança do sogro, como parente por afinidade.',
ans: false,
why: 'Entre afins não há direito a herança nem a alimentos. Tepedino e Teixeira explicam que faltam os laços de solidariedade que justificariam esses direitos.' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 's143',
q: 'No RE 446.999 (2005), por que o STF afastou a inelegibilidade do ex-genro do prefeito?',
opts: [
{ t: 'Porque a separação de fato era anterior ao mandato do ex-sogro, e a regra quer evitar que uma família se perpetue no poder.', ok: true, why: 'É a interpretação pela finalidade, relatada por Gagliano e Pamplona.' },
{ t: 'Porque a afinidade nunca gera inelegibilidade.', ok: false, why: 'O art. 14, § 7º, inclui expressamente os afins até o segundo grau.' },
{ t: 'Porque genro não é parente por afinidade.', ok: false, why: 'Genro é afim em linha reta, em primeiro grau.' },
{ t: 'Porque a inelegibilidade só vale para presidente.', ok: false, why: 'A regra alcança também governador e prefeito.' }
] },
/* ---------- TESTE FINAL ---------- */
{ t: 'html', sec: 'fin', html:
'<div class="cover" style="min-height:330px">' +
'<h2 style="font-size:1.6rem">Teste final</h2>' +
'<p class="lede">Cinco questões novas, misturando os três blocos. Responda antes de olhar o texto: errar aqui também ensina.</p>' +
'<div class="band"><small>Depois do teste</small>Você verá o seu placar, com o resultado por bloco, e poderá revisar o vocabulário do capítulo.</div>' +
'</div>' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 'fin',
q: 'Qual o grau de parentesco entre mim e meu tio-avô, irmão do meu avô?',
opts: [
{ t: 'Quarto grau colateral.', ok: true, why: 'Subo três até o bisavô e desço um até o tio-avô.' },
{ t: 'Terceiro grau colateral.', ok: false, why: 'Esse é o grau do tio.' },
{ t: 'Segundo grau em linha reta.', ok: false, why: 'O tio-avô não é meu ascendente.' },
{ t: 'Não há parentesco.', ok: false, why: 'Há, no limite do quarto grau.' }
] },
{ t: 'q', kind: 'tf', sec: 'fin',
q: 'O irmão adotado é parente colateral de segundo grau, como o irmão biológico.',
ans: true,
why: 'A contagem é igual no parentesco civil. Gagliano e Pamplona e Tepedino e Teixeira rejeitam qualquer hierarquia entre as espécies.' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 'fin',
q: 'Na linha colateral, o parentesco por afinidade alcança:',
opts: [
{ t: 'Apenas os cunhados, em segundo grau.', ok: true, why: 'O art. 1.595, § 1º, limita a afinidade aos irmãos do cônjuge na linha colateral.' },
{ t: 'Cunhados, tios e primos do cônjuge.', ok: false, why: 'Tios e primos do cônjuge não são afins.' },
{ t: 'Todos os colaterais do cônjuge até o quarto grau.', ok: false, why: 'A afinidade é mais restrita que o parentesco consanguíneo.' },
{ t: 'Ninguém.', ok: false, why: 'Os cunhados são afins colaterais.' }
] },
{ t: 'q', kind: 'tf', sec: 'fin',
q: 'A afinidade só surge do casamento; a união estável não cria parentesco por afinidade.',
ans: false,
why: 'Desde o Código de 2002, a união estável também gera afinidade (art. 1.595). Foi uma das novidades do Código.' },
{ t: 'q', kind: 'mc', sec: 'fin',
q: 'O que a expressão "outra origem", do art. 1.593, permitiu?',
opts: [
{ t: 'Reconhecer formas de parentesco civil não previstas expressamente, como a socioafetividade.', ok: true, why: 'Tepedino e Teixeira a chamam de cláusula geral de parentesco.' },
{ t: 'Restringir o parentesco civil à adoção.', ok: false, why: 'O efeito foi o contrário: ampliar.' },
{ t: 'Transformar cônjuges em parentes.', ok: false, why: 'Cônjuges continuam não sendo parentes.' },
{ t: 'Estender a colateralidade ao sexto grau.', ok: false, why: 'O limite é o quarto grau.' }
] },
{ t: 'score' },
{ t: 'flips' },
{ t: 'end' }
];
var FLIPS = [
['Parentesco civil', 'O que resulta de "outra origem": adoção, reprodução assistida com doador, socioafetividade.'],
['Posse de estado', 'Nome, tratamento e fama: prova do vínculo socioafetivo.'],
['Linha reta', 'Ascendentes e descendentes. Infinita; cada geração é um grau.'],
['Linha colateral', 'Mesmo tronco, sem descendência entre si. Vai até o quarto grau.'],
['Tronco comum', 'Ascendente em comum até o qual se sobe para contar o grau colateral.'],
['Irmão unilateral', 'Só o pai (consanguíneo) ou só a mãe (uterino) em comum.'],
['Afinidade', 'Vínculo entre um cônjuge ou companheiro e ascendentes, descendentes e irmãos do outro.'],
['Concunhados', 'Não são parentes: os afins de um não são afins do outro.']
];
var RECAP = [
'Parentesco não é família: cônjuges e companheiros formam família, mas não são parentes entre si.',
'Há três espécies, sem hierarquia: natural, civil ("outra origem") e por afinidade.',
'A cláusula aberta do art. 1.593 abriga a socioafetividade, provada pela posse de estado, e o vínculo é irrevogável.',
'Na linha reta, conta-se uma geração por grau, sem limite. Na colateral, sobe-se até o tronco comum e desce-se, até o quarto grau.',
'Não há colateral em primeiro grau: irmãos são de segundo, tio e sobrinho de terceiro, primos de quarto.',
'Cada efeito tem seu limite: herança até o 4º grau, impedimento até o 3º, alimentos até o 2º.',
'A afinidade alcança sogros, enteados e cunhados; na linha reta, sobrevive ao divórcio; na colateral, acaba.',
'Entre afins não há herança nem alimentos; a afinidade serve sobretudo para impedimentos e restrições.'
];
var LETTERS = ['A', 'B', 'C', 'D'];
var idx = 0, dir = 1, answers = {};
function shuffle(a) {
for (var i = a.length - 1; i > 0; i--) {
var j = Math.floor(Math.random() * (i + 1));
var t = a[i]; a[i] = a[j]; a[j] = t;
}
return a;
}
SLIDES.forEach(function (s) {
if (s.t === 'q' && s.kind === 'mc') s.order = shuffle(s.opts.map(function (_, i) { return i; }));
});
var stage = document.getElementById('stage');
var bar = document.getElementById('bar');
var count = document.getElementById('count');
var prevB = document.getElementById('prev');
var nextB = document.getElementById('next');
function esc(s) { return String(s).replace(/&/g, '&').replace(/</g, '<').replace(/>/g, '>'); }
function secTag(key, extra) {
if (key === 'gen') return '<span class="sec c-navy">' + (extra || ('Capítulo ' + CAP.num)) + '</span>';
var s = SEC[key];
var label = s.short === 'Teste' ? s.nome : s.short + ' · ' + s.nome;
return '<span class="sec ' + s.tag + '">' + label + '</span>' + (extra ? '<span class="qkind">' + extra + '</span>' : '');
}
function isRight(s, picked) {
if (s.kind === 'tf') return (picked === 0) === s.ans;
return s.opts[s.order[picked]].ok;
}
function countQs() { return SLIDES.filter(function (s) { return s.t === 'q'; }).length; }
function render() {
var s = SLIDES[idx];
var el = document.createElement('div');
el.className = 'dk-slide' + (dir > 0 ? ' in-r' : (dir < 0 ? ' in-l' : ''));
if (s.t === 'cover') {
el.innerHTML = '<div class="cover">' + secTag('gen', 'Síntese interativa') +
'<h1>' + CAP.titulo + '</h1>' +
'<p class="lede">Revise o capítulo em cartões curtos e teste o que aprendeu ao longo do caminho. Escolha uma alternativa e a resposta aparece na hora, sempre com o porquê.</p>' +
'<div class="how"><div><b>' + SLIDES.length + ' cartões</b>síntese dos ' + CAP.blocos + '</div><div><b>' + countQs() + ' perguntas</b>verdadeiro ou falso e múltipla escolha</div><div><b>Placar no fim</b>com o resultado por bloco</div></div>' +
'<div><button class="dk-btn primary" type="button" id="go">Começar →</button></div></div>';
} else if (s.t === 'html') {
el.innerHTML = secTag(s.sec, s.label) + s.html;
} else if (s.t === 'q') {
el.innerHTML = buildQ(s);
} else if (s.t === 'score') {
el.innerHTML = buildScore();
} else if (s.t === 'flips') {
el.innerHTML = buildFlips();
} else if (s.t === 'end') {
el.innerHTML = buildEnd();
}
stage.innerHTML = '';
stage.appendChild(el);
wire(el, s);
updateMeta();
}
function buildQ(s) {
var picked = answers[idx], done = picked !== undefined;
var h = secTag(s.sec, s.kind === 'tf' ? 'Verdadeiro ou falso' : 'Múltipla escolha');
h += '<p class="qtext">' + esc(s.q) + '</p>';
if (s.kind === 'tf') {
var right = s.ans ? 0 : 1;
h += '<div class="tf">';
['Verdadeiro', 'Falso'].forEach(function (lab, i) {
var cls = 'opt';
if (done) cls += (i === right) ? ' correct' : (i === picked ? ' wrong' : ' muted');
h += '<button type="button" class="' + cls + '" data-i="' + i + '"' + (done ? ' disabled' : '') + '>' + lab + '</button>';
});
h += '</div>';
var ok = done && isRight(s, picked);
h += '<div class="fb ' + (done ? 'on ' : '') + (ok ? 'good' : 'bad') + '"><b>' +
(ok ? 'Isso mesmo.' : 'Não é bem assim.') + ' A afirmação é ' + (s.ans ? 'verdadeira' : 'falsa') + '.</b>' + esc(s.why) + '</div>';
} else {
var rightPos = -1;
s.order.forEach(function (oi, p) { if (s.opts[oi].ok) rightPos = p; });
h += '<div class="opts">';
s.order.forEach(function (oi, p) {
var o = s.opts[oi], cls = 'opt';
if (done) cls += ' shown' + ((p === rightPos) ? ' correct' : (p === picked ? ' wrong' : ' muted'));
h += '<button type="button" class="' + cls + '" data-i="' + p + '"' + (done ? ' disabled' : '') + '>' +
'<span class="lt">' + LETTERS[p] + '</span><span class="tx">' + esc(o.t) +
'<span class="why">' + esc(o.why) + '</span></span></button>';
});
h += '</div>';
if (s.retain) h += '<div class="retain' + (done ? ' on' : '') + '"><b>Vale reter:</b> ' + esc(s.retain) + '</div>';
}
return h;
}
function tally() {
var by = {}, hits = 0, total = 0, skipped = 0;
SLIDES.forEach(function (s, i) {
if (s.t !== 'q') return;
total++;
if (!by[s.sec]) by[s.sec] = { ok: 0, n: 0, sk: 0 };
by[s.sec].n++;
if (answers[i] === undefined) { skipped++; by[s.sec].sk++; return; }
if (isRight(s, answers[i])) { hits++; by[s.sec].ok++; }
});
return { by: by, hits: hits, total: total, skipped: skipped };
}
function buildScore() {
var r = tally();
var pct = r.total ? Math.round(r.hits / r.total * 100) : 0;
var msg = pct >= 85 ?
'Excelente. Você conta graus sem tropeçar e sabe o que a afinidade gera e o que não gera. Pode seguir para o Capítulo 15.' :
(pct >= 60 ?
'Bom resultado. Volte aos blocos em que errou mais. Os pontos que mais confundem são o tronco comum do tio, os limites de cada efeito e a afinidade depois do divórcio.' :
'Vale reler o capítulo com calma. Comece pela seção 14.2 e refaça a contagem dos graus com a tabela.');
var h = secTag('gen', 'Seu placar');
h += '<div class="score"><div class="big">' + r.hits + '/' + r.total + '</div><div class="lbl">' + pct + '% de acerto</div></div>';
h += '<div class="msg">' + msg + '</div><div class="brk">';
ORDER.forEach(function (k) {
var d = r.by[k]; if (!d) return;
var cls = d.ok === d.n ? 'full' : (d.ok === 0 && d.sk === 0 ? 'none' : 'part');
h += '<div class="row"><span class="sec ' + SEC[k].tag + '">' + SEC[k].short + '</span>' +
'<span class="t">' + SEC[k].nome + '</span><span class="v ' + cls + '">' + d.ok + '/' + d.n + '</span></div>';
});
h += '</div>';
if (r.skipped) h += '<p class="skip">' + r.skipped + (r.skipped === 1 ? ' pergunta ficou' : ' perguntas ficaram') + ' sem resposta. Volte com "Anterior" para respondê-' + (r.skipped === 1 ? 'la' : 'las') + '.</p>';
return h;
}
function buildFlips() {
var h = secTag('gen', 'Revisão de vocabulário');
h += '<h2>Vire os cartões</h2><p class="lede">Tente lembrar o significado antes de clicar. Estes cartões não contam pontos.</p><div class="flips">';
FLIPS.forEach(function (c) {
h += '<button type="button" class="flip" aria-label="Virar cartão: ' + esc(c[0]) + '"><span class="in">' +
'<span class="fa"><b>' + esc(c[0]) + '</b><span>clique para ver o significado</span></span>' +
'<span class="fv">' + esc(c[1]) + '</span></span></button>';
});
return h + '</div>';
}
function buildEnd() {
var h = secTag('gen', 'Resumo final');
h += '<h2>O capítulo em ' + RECAP.length + ' frases</h2><ol class="recap">';
RECAP.forEach(function (r) { h += '<li>' + esc(r) + '</li>'; });
h += '</ol><div class="next"><span><small>Próximo capítulo</small>' + CAP.proximo + '</span>' +
'<button class="dk-btn ghost" type="button" id="again">Refazer o baralho</button></div>';
return h;
}
function wire(el, s) {
var go = el.querySelector('#go');
if (go) go.addEventListener('click', function () { move(1); });
if (s.t === 'q') {
el.querySelectorAll('.opt').forEach(function (b) {
b.addEventListener('click', function () {
if (answers[idx] !== undefined) return;
answers[idx] = parseInt(b.getAttribute('data-i'), 10);
dir = 0; render();
});
});
}
if (s.t === 'flips') {
el.querySelectorAll('.flip').forEach(function (f) {
f.addEventListener('click', function () { f.classList.toggle('on'); });
});
}
var again = el.querySelector('#again');
if (again) again.addEventListener('click', function () {
answers = {};
SLIDES.forEach(function (x) { if (x.t === 'q' && x.kind === 'mc') x.order = shuffle(x.order); });
idx = 0; dir = -1; render();
});
}
function updateMeta() {
bar.style.width = ((idx + 1) / SLIDES.length * 100) + '%';
count.textContent = 'Cartão ' + (idx + 1) + ' de ' + SLIDES.length + ' · ' + (function (h) { return h + (h === 1 ? ' acerto' : ' acertos'); })(tally().hits);
prevB.disabled = idx === 0;
nextB.disabled = idx === SLIDES.length - 1;
nextB.textContent = SLIDES[idx + 1] && SLIDES[idx + 1].t === 'score' ? 'Ver placar →' : 'Próximo →';
}
function move(d) {
var n = idx + d;
if (n < 0 || n >= SLIDES.length) return;
idx = n; dir = d; render();
stage.focus({ preventScroll: true });
}
prevB.addEventListener('click', function () { move(-1); });
nextB.addEventListener('click', function () { move(1); });
document.addEventListener('keydown', function (e) {
if (e.key === 'ArrowRight') move(1);
else if (e.key === 'ArrowLeft') move(-1);
});
var x0 = null, y0 = null;
stage.addEventListener('touchstart', function (e) { x0 = e.touches[0].clientX; y0 = e.touches[0].clientY; }, { passive: true });
stage.addEventListener('touchend', function (e) {
if (x0 === null) return;
var dx = e.changedTouches[0].clientX - x0, dy = e.changedTouches[0].clientY - y0;
if (Math.abs(dx) > 50 && Math.abs(dx) > Math.abs(dy) * 1.4) move(dx < 0 ? 1 : -1);
x0 = null;
});
render();
})();
</script>
</body>
</html>