ALGUNS PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Dentro da classe “Pronomes”, encontraremos os chamados “Pronomes Demonstrativos”, isto é, pronomes que “localizam ou identificam o substantivo”, segundo o mestre Napoleão Mendes de Almeida.

Bem, vamos observar o uso de alguns deles para que sejam empregados de acordo com o Gramática, pelo menos na linguagem escrita.

Os pronomes “este(s), esta(s) e isto” são chamados de pronomes de “primeira pessoa”, indicando aquilo que está perto de quem fala e longe de quem ouve. Assim, são pronomes que normalmente vêm acompanhados pelo advérbio “aqui”. Vejamos alguns exemplos: “Mãe, esta toalha aqui está limpa? – perguntou o rapaz, gritando do banheiro”, “Estas revistas aqui são antigas – disse o jornaleiro” ou ainda “Isto aqui é um livro raro, meus alunos – falou o professor”. Quando o falante se referir, portanto, a algo que esteja perto dele, deve utilizar os pronomes acima.

O mesmo acontece quando nos referimos à marcação de tempo, se estivermos falando da semana, do mês, do ano correntes. “Neste mês, viajarei à Europa”; “Nesta semana, já resolvi muitos problemas”; “Neste ano, quero paz no meu coração”.

Além disso, são pronomes denominados “catafóricos”, pois anunciam o que virá, o que será mencionado. Note: “Desejo-lhe isto: que você seja muito feliz”. “Preciso desta camisa: a vermelha”.

Por outro lado, “esse(s), essa(s) e isso” são considerados pronomes de “segunda pessoa”: indicarão o que está perto de quem ouve e longe de quem fala e poderão vir acompanhados pelo advérbio “aí”. Vamos a alguns exemplos: “Esse carro aí está com problemas? “, “Cuidado, garoto: essa peça em suas mãos é frágil”, ou “Isso no seu dedo é uma aliança de casamento?”.

São utilizados também para quando nos referimos a um período passado, já finalizado. “Fui muito feliz em dezembro de 2002: nesse mês e nesse ano, comprei minha casa”.

Devem ser utilizados quando nos referirmos a algo que já tenha aparecido no discurso – por isso, são chamados de “pronomes anafóricos”. Percebam: “Comprei uma moto novinha. Essa, eu não vendo!”. “Paz, sossego e saúde: preciso disso…”.

Antigamente, uma das numerosas propagandas da Coca Cola trazia o slogan: “Coca Cola é isso aí!”. O brilhante professor Pasquale Cipro Neto sempre termina seus textos com a expressão “É isso”, pois está se referindo a tudo o que acabou de expor e explicar anteriormente.

Já os pronomes “aquele(s), aquela(s) e aquilo” são considerados de terceira pessoa, isto é, referem-se ao que está longe de quem fala e de quem ouve – normalmente, vêm acompanhados de advérbios como “lá” e “ali”. “Filho, aquela porta ali deveria ficar trancada”, “Aqueles políticos corruptos, em Brasília, envergonham a nação” etc.

Lembrei-me agora da bonita ( e melancólica) canção de Lupicínio Rodrigues chamada “Esses moços”. Nela, o eu lírico diz: “Esses moços, pobres moços / Ah, se soubessem o que eu sei / Não amavam, não passavam / Aquilo que eu já passei (…)”, como se, ao usar o pronome “esses”, ele se distanciasse e dissesse que os moços estão perto de quem ouve a canção ; ao mesmo tempo, o pronome “aquilo” demonstra que, talvez, todas as suas desilusões já estejam distantes – tanto do próprio eu lírico quanto da pessoa a quem ele se dirige com seus (tristes) conselhos. As desilusões amorosas deixam marcas diferentes em diferente pessoas…

E como proceder quando vamos nos referir a dois elementos que já mencionamos? Existem vários recursos, claro, mas vamos continuar no campo dos pronomes demonstrativos. Tomemos o seguinte exemplo: “Fomos à França e à Itália. Na Itália, vimos a Capela Sistina; na França, visitamos o Louvre”. É claro que o período ficaria estilisticamente mais bonito sem a repetição dos nomes dos dois países… para isso, poderíamos, por exemplo,

utilizar os numerais ordinais “segundo e primeiro: “Na segunda, vimos a Capela Sistina; na primeira, visitamos o Louvre” etc. Eu quero, porém, utilizar os pronomes demonstrativos. A regra é a seguinte: utiliza-se o “este(s), “esta(s), isto” para nos referirmos ao que apareceu por último; utilizamos o “aquele(s), aquela(s), aquilo” para o que apareceu primeiro.

O exemplo citado ficaria, então, da seguinte forma: “Fomos à França e à Itália. Nesta, vimos a Capela Sistina; naquela, visitamos o Louvre”.

Mais um: “Não gosto de trair, nem de brincar com o coração das pessoas – isto (brincar com o coração das pessoas) é cruel; aquilo (trair) é coisa de gente desonesta”.

Para terminar, uma dica sobre o pronome demonstrativo “mesmo”. De acordo com o professor Napoleão, “há um emprego condenável do demonstrativo ‘mesmo’ (…) utilizado para substituir ‘ele, para ele, ela, a ela, para ela, dela’ etc”. Assim, construções como “A testemunha prestou depoimento ontem. A mesma é irmã do réu” devem ser evitadas. Melhor seria: “A testemunha prestou depoimento ontem. Ela é irmã do réu”.

Lembremos o enunciado da Lei Estadual número 9502/97 que pode ser visto na maioria dos prédios: “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”. Ficaria mais simples e mais bonito: “Antes de entrar no elevador, verifique se ele está parado neste andar”.

É isso!

Bibliografia

ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática Metódica da Língua Portuguesa, São Paulo, Editora Saraiva, 1998, pp. 185-186.

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