A ALMA DA ALMA DO NEGÓCIO

Todos conhecem o ditado: “A propaganda é a alma do negócio”. E eu, que sou leigo no assunto, diria que o “slogan” é a alma da propaganda.

Não sou publicitário: falo como consumidor, falo como uma pessoa sujeita à propaganda dos mais diversos produtos, nos mais diversos meios de comunicação. Aceito meu papel de público-alvo de tanta coisa – livros, filmes, música, roupas, canais de streaming, artigos de higiene pessoal, alimentos, aparelhos eletrônicos, pacotes de viagem, restaurantes, supermercados… a lista é muito, muito longa. Não digo que eu consuma tudo isso, mas boa parte desses itens é essencial, e a gente não tem como escapar.

Nós nos lembramos das mais variadas e bem boladas propagandas desde a infância. Anúncios que nos marcaram, também, pelo “slogan”, aquela “frase curta que busca representar uma marca para promover a rápida identificação e memorização de seus produtos e serviços pelos consumidores”, segundo o dicionário.

Quem gostava do seriado “A Feiticeira” vai se lembrar de James quebrando a cabeça para inventar um “slogan” que agradasse aos clientes da McMann & Tate, agência onde o marido da Samantha trabalhava. E é isso mesmo: uma boa propaganda exige um bom e marcante “slogan”. Alguns são bem-humorados, outros usam e abusam da ambiguidade e por aí vai.

Estive pensando sobre todos aqueles que tornaram inesquecíveis as propagandas na TV, no rádio, em jornais, em revistas e em outdoors espalhados pela cidade. A lista é enorme, e não tenho a pretensão de esgotá-la. Convido o leitor a se lembrar de alguns!

No campo dos alimentos, acho que temos o maior número de “slogans” marcantes. Como esquecer que Hellman´s é “A verdadeira maionese”, ou que “Você faz maravilhas com Leite Moça”? Temos ainda o conselho: “Abra a boca, é Royal” ou mesmo a pergunta dos biscoitos Tostines que realçavam sua principal qualidade: “Tostines está sempre fresquinho porque vende mais ou vende mais porque está sempre fresquinho?”. Até hoje, são milhões de pessoas que gostam de Nescau, pois ele é “Energia que dá gosto”. Mas, nos anos 80, ele sofreu a concorrência do Quick, que “Faz do leite uma alegria”.

Ainda falando de laticínios, Danoninho valia por um bifinho, enquanto o sorvete Kibon era gostoso e fazia bem. Um dos primeiros “slogans” do Leite Ninho era: “Para os meus, sempre o melhor”, com a foto de uma moça servindo o produto ao marido e aos filhos. E os Sucrilhos Kellog´s, por sua vez, recomendavam: “Desperte o tigre que há em você!”.

A Turma da Mônica, criada por Maurício de Souza, fazia as propagandas da goiabada, da marmelada, do marrom glacê e de outros enlatados. A gente já sabia que vinha o “slogan”: “Se a marca é Cica, bons produtos indica”. E os deliciosos chocolates com embalagem azul da Lacta? “Quem come um pede Bis”.

Temos os bancos! Como esquecer o Nacional – “O banco que está a seu lado” e o “Vem pra Caixa você também. Vem!”, da Caixa Econômica Federal? Já o Unibanco brincava com as palavras e com o tempo. Denominava-se “Banco 30 horas – seis na agência e 24 nos caixas eletrônicos”. O Bamerindus anunciava: “O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa”. Não continua mais…

Quando pensamos em produtos de higiene pessoal, a lista também é grande. Vejamos alguns “slogans”: “Nove entre dez estrelas preferem (o sabonete) Lux Luxo”. Os comerciais do sabonete Rexona sempre traziam alguém com pressa, tentando entrar num elevador ou num ônibus lotados. Aí, vinha o slogan: “Sempre cabe mais um quando se usa Rexona”. As propagandas da marca Vinólia eram muito bonitas. Ao som de música clássica, Vivaldi principalmente, mostravam um grupo de bonitas moças com roupas iguais e apenas uma vestida de modo diferente. E o slogan: “Vinólia – sensível diferença”.

As propagandas de bebidas – alcoólicas ou não – também sempre se fizeram presentes com “slogans” que ficaram na memória. A Skol é a “cerveja que desce redondo”, enquanto a Orloff dizia: “Eu sou você amanhã”. A Cachaça 51 se autoproclamava “Uma boa ideia”, e o Guaraná Antarctica afirmava ser “Original do Brasil”, talvez por causa da concorrência do Guaraná Taí, da americana Coca-Cola.

Bem, já que falei de bebida, tenho de me lembrar, claro, dos tempos em que os cigarros podiam fazer seus anúncios publicitários. Em que pesem todos os malefícios do produto, eram propagandas muito bem feitas também. Os Cigarros Hollywood eram “O Sucesso!”, enquanto os Cigarros Continental eram “Preferência Nacional”. Se você fumasse Carlton, experimentaria “Um raro prazer”, mas o slogan de um outro dizia: “O importante é ter Charm”. Cowboys e homens rústicos estampavam os comerciais de uma outra marca bem famosa. Eram homens que convidavam: “Venha para onde está o sabor. Venha para o Mundo de Marlboro”.  Minister tinha “O sabor para quem sabe o que quer”. (Nunca entendi a proibição das propagandas de cigarro, já que o álcool, com todos os estragos que provoca, anda livre, leve e solto nos meios de comunicação… mas isso é outra história.)

Os eletroeletrônicos também deixaram sua marca. Você pode seguir o conselho – “Põe na Consul”-, mas vai sempre fazer comparações até constatar que nem tudo “É uma Brastemp”. A Telefunken tinha “Mania de perfeição”, porém “Tem coisas que só a Philco faz pra você”. A Semp Toshiba afirmava: “Nossos japoneses são melhores que os japoneses dos outros”.

Quer comprar um relógio? Lembre-se de que Orient é “O relógio de todas as horas”, contudo Technos é “O suíço mais pontual do mundo”.

Ah, “Se é Bayer, é bom”! E SBP é “Terrível contra os insetos. Contra os insetos”. Que fique claro!

Se “A diferença é que o Estadão funciona”, “Aconteceu, virou Manchete”.

Lembro de ter visto, quando era menino, dois slogans que me marcaram muito – por sua simplicidade e por sua genialidade. Um deles era dos Colchões Probel: “Porque um bom dia depende de uma boa noite”; o outro era dos lenços de papel York que dizia: “Quem usa lenço de pano guarda o resfriado no bolso”. Ótimos!

É claro que “O primeiro sutiã a gente nunca esquece” e, segundo Clodovil, “Se eu fosse você, só usava Valisère”.

Bom Bril “Tem mil e uma utilidades”, já o shampoo anticaspa Denorex “Parece (remédio), mas não é”. Os brinquedos Troll eram um “Bom motivo pra ser criança”, e “A Atma e ótima”, ou pelo menos era. Muita criança infernizou seus pais com “Eu quero a minha Caloi!”, lembram-se?

Pra finalizar, podíamos comprar quase tudo isso na Sears, onde você tinha “Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, ou nas Casas Bahia que promete “Dedicação total a você”. Hoje, muita gente faz suas compras no Pão de Açúcar – “Lugar de gente feliz!”.

Será?

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