O PROBLEMA DOS FALSOS COGNATOS

 

Por uma série de razões, a língua inglesa acabou sendo o que o “Esperanto” prometia ser: uma língua universal que facilitasse a comunicação entre as pessoas das mais variadas nacionalidades. É inegável a importância que o inglês alcançou nos nossos dias.

Assim sendo, milhões de pessoas procuram cursos para se aprimorarem nessa língua, visando não só à capacidade de comunicação, mas também maior projeção no mercado de trabalho. Entre outros cuidados que se devem tomar no estudo do inglês, os chamados “falsos cognatos” merecem atenção.

“Palavras cognatas”, segundo o dicionário, são aquelas que “possuem a mesma raiz”, isto é, palavras que possuem a mesma origem. “Jardim”, “jardinagem”, “jardineiro” são exemplos bem claros – vejam que apresentam o mesmo “radical” (a parte da palavra que não muda), “jardi”. Existem muitos outros exemplos: “guerra”, “guerrilha”, “guerreiro”, “Brasil”, “brasileiro”, “brasilianista” , “brasilidade” etc.

Qualquer estudante de língua inglesa acaba encontrando, nessa língua, palavras semelhantes às que possuímos em português. Até aí, tudo bem. O problema começa quando essas palavras são semelhantes, mas não têm o mesmo significado. Isso pode gerar confusão na hora de uma conversa ou mesmo de um texto escrito.

O primeiro exemplo que me ocorre vem a ser o termo “applicant” – em inglês, a palavra significa “requerente”, “pretendente”, “candidato”. Daí o verbo “to apply”, “candidatar-se”. Mais de uma vez, vi e ouvi jovens dizendo que haviam “aplicado para entrar em uma universidade americana”. Isso não tem sentido. É um absurdo! Parece que estamos mesmo perdendo vocabulário em nossa própria língua…

Outro exemplo? “College”. Já perdi as contas de quantos filmes vi nos quais a palavra “college” vem traduzida por “colégio”. “Colégio”, no Brasil, diz respeito a uma “escola qualquer” ou mesmo ao nosso chamado “ensino médio”. Em inglês, o termo é um falso cognato e significa “faculdade”… “ensino médio”, nos States, é “high school”.

Não vou entrar aqui no mérito das (muitas vezes absurdas) traduções de filmes, mas há algumas que são de amargar! Uma vez, vi traduzirem “best man” por “melhor homem”. “Best man” significa “padrinho de casamento”. Imaginem a cena: o noivo apresentou seu padrinho para os amigos e disse: “This is my best man”. Na tradução, “Este é o meu melhor homem”. Pegou mal!

Vale a pena citar o verbo “to assume”. Como o leitor já deve ter adivinhado, ele não significa “assumir”, mas “presumir”, supor”. “I assume you are tired after working that much” – “Presumo que você esteja cansado depois de trabalhar tanto”.

Outra palavrinha que causa alguma confusão vem a ser o substantivo “convict”. Em inglês, quer dizer “condenado”, “sentenciado”, e não “convicto” (pessoa que tem certeza ou convicção a respeito de algo). As palavras podem ser traiçoeiras…

E o que dizer de “fabric”? Imediatamente, somos levados a traduzir o termo pelo correspondente em português, mas “fabric” significa “tecido” e não “fábrica”. “Fábrica”, em inglês, é “factory”.

No meio acadêmico, usa-se muito o termo “lecture”, que significa “palestra” ou “conferência”, e não deve ser traduzido por “leitura”, assim como “lecturer” não é “leitor”, e sim “palestrante”, “conferencista”.

Prestemos atenção também a um falso cognato muito, muito utilizado no dia a dia pelos falantes de inglês – “parents”. É lógico que, imediatamente, somos levados a pensar em “parentes”, essa classe de pessoas nem sempre

fáceis e agradáveis em nossas vidas… mas o termo em inglês significa “pais”, “pai e mãe”. “My parents live in Los Angeles” (“Meus pais vivem em Los Angeles”). Para falar dos queridos tios, primos, cunhados e que tais, a palavra correta é “relatives”.

Não nos esqueçamos de outro erro muito comum: “library” não corresponde ao nosso “livraria”. “Livraria”, em inglês, é “book store”.”Library” é a nossa “biblioteca, assim como “library science” vem a ser “biblioteconomia”.

A lista é bastante grande e recomenda-se, sempre que possível, a consulta a um dicionário. Tomemos cuidado com as palavras “lunch” (almoço), “pasta” (massa, macarrão), “exquisite” (belo, refinado, chique), “ingenious” (engenhoso) e tantas outras.

Pra finalizar, já que estamos em dezembro, uma pequena homenagem a um grande cantor inglês que se foi no Natal de 2016. Um dos discos mais bonitos de George Michael – no qual se encontram músicas belíssimas como “Praying for time” (prestemos atenção à letra!) e “Cowboys and Angels” – chama-se “Listen without Prejudice”.

Não, não é para se “ouvir sem prejuízo”… é pra se “ouvir sem preconceito”.

SÉRIES
UMA FLOR… BELA E CHEIA DE POESIA

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